quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Resultado da Radiografia da Cabeça de Ayrton Senna

Revista Veja 03/05/1994




Radiografia da morte

Imagine um pêndulo de aço de 50 quilos martelando numa campana com a espessura e a resistência de uma casca de ovo. Essa é a imagem apropriada para descrever como se movimentou o cérebro de Ayrton Senna na hora do choque de sua Williams contra o muro de concreto. É assim que se comportou a massa encefálica do piloto, com seu peso multiplicado por 100 no momento da colisão, batendo violentamente contra a caixa craniana. Esses sucessivos choques internos foram causados por um fenômeno chamado desaceleração súbita. Ele ocorre quando um determinado objeto em altíssima velocidade, no caso da Williams-Renault a cerca de 300 quilômetros por hora, encontra pela frente um objeto estático, o muro de concreto. O resultado é devastador do ponto de vista clínico.

"As camadas do cérebro deslizam umas sobre as outras, guilhotinando os axônios, espécie de fios que fazem as ligações nervosas da cabeça com todo o corpo", diz o médico Luiz Alcidez Manreza, diretor do serviço de emergência neurológica do Hospital das Clínicas de São Paulo. "Esse tipo de lesão cerebral é a principal causa de morte instantânea em traumatismos de crânio." Nesses casos, 60% das vítimas morrem. Na melhor das hipóteses, essas lesões neurológicas deixam graves seqüelas, ou o sobrevivente vira um vegetal. Dramatizando ainda mais a comparação, o badalo em questão, o cérebro de Senna, não era um corpo de metal como o abrigado num sino de verdade. O cérebro humano é formado por um tecido frágil, pouco mais consistente que um pudim.

Bastariam essas lesões, causadas pela desaceleração, para matar Ayrton Senna. Mas não foi só isso. A cabeça do piloto foi muito mais afetada do que fazem crer as imagens na televisão. Pernas, tórax, abdômen e coluna cervical, as partes do corpo mais propensas a sofrer o impacto de acidentes na Fórmula 1, saíram ilesas do desastre de Senna. A explicação é que essa região do corpo estava bem resguardada pelo cockpit, a cápsula quase indestrutível de fibra de carbono que abriga o piloto. Sem essa proteção, a cabeça bateu contra o muro de concreto. Uma testemunha, que viu o corpo de Senna antes de o caixão ser lacrado, conta que sua cabeça estava toda arrebentada. Ele sofreu um afundamento na testa e fraturas múltiplas na base do crânio, que provocaram hemorragias e edemas nessa região. Sua cabeça foi, portanto, alvo de dois tipos de traumatimo: o mais interno, a nível nervoso, causado pela desaceleração de velocidade, e o mais superficial, resultado da colisão direta de sua cabeça na parede.

Num caso tão grave assim, nem o melhor resgate médico do mundo seria capaz de fazer milagres. Não havia o que fazer, do ponto de vista médico. Ainda assim, o trabalho executado pela equipe médica de San Marino, embora correto, demorou mais do que o normal. Os bombeiros até que chegaram rápido ao local do acidente, cerca de vinte segundos depois da batida, e não entraram em ação porque não havia risco de fogo na Williams. Mas o serviço ambulatorial se atrasou. Os médicos da equipe de socorro do Grande Prêmio de San Marino só começaram o atendimento de Senna um minuto e quarenta segundos após o acidente. "Demoraram uma eternidade", diz o neurocirurgião Hélio Laterman, ex-chefe da equipe de socorro nos Grandes Prêmios de Jacarepaguá de 1985 e 1986, no Rio de Janeiro. "Aqui no Brasil em trinta segundos já chegamos com o socorro médico ao local de um acidente", diz o médico Jorge Pagura, chefe do atendimento neurológico nas corridas de Fórmula 1 disputadas em São Paulo.

O salvamento de Senna se deu no limite do aceitável, beirando a negligência. Dois minutos e meio depois da batida, ele foi retirado de sua Williams e, noventa segundos mais tarde, sofreu uma traqueostomia em plena pista - uma abertura em sua traquéia para que o piloto pudesse respirar. A boca e o nariz estavam bloqueados pelo sangue. O helicóptero que levou o piloto para o Hospital Maggiore de Bolonha decolou dezessete minutos depois da batida. Mas já era tarde. Os médicos italianos decretaram sua morte cerebral às 13h40 de domingo, horário de Brasília. Quarenta minutos mais tarde, o coração de Ayrton, que ainda batia com auxílio de aparelhos, parou.








FONTE PESQUISADA

VEJA - Ayrton Senna: há 18 anos, a morte antes da curva. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/noticia/esporte/ayrton-senna-ha-18-anos-a-morte-antes-da-curva>. Acesso em: 09 de janeiro 2013.

8 comentários:

  1. em uma das imagens, logo qndo o carro depois de bater para, parece q o senna move um pouco a cabeça (pra uns seria como se ele tivesse dado o ultimo suspiro).

    Se o cerebro tinha chacoalado e desfalecido vazando pelo interior dos orífícios, o que foi esse movimento da cabeça então?


    Ass. Tati

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Espasmos musculares. (Não sou médico), mas o corpo deve ter sofrido um espasmo depois da pancada.

      Excluir
    2. Oi Tati. Quando uma pessoa sofre um trauma neurológico, seu corpo entra em espasmo muscular (Movimentos involuntários) Foi o que aconteceu com o Senna. Outra coisa: O cérebro, não saiu pelos orifícios. o que saiu foi sangue muuito sangue. O cérebro apenas ficou revirado em sua caixa craniana. Ele também estava respirando pois o coração ainda estava batendo novamente movimentos involuntários.

      Excluir
    3. Oi Tati. Com todo o respeito, o Sr Senna andava muito convencido. Estava crente que tinha atingido a "perfeição" ao pilotar. Em um GP que venceu algumas semanas antes, ele disse que o carro parecia guiar sozinho. É preciso respeitar a vida e não brincar com ela. E ainda ficam pedindo dinheiro para fazer "caridade" em nome dele...

      Excluir
  2. Foi a cabeça perdendo o peso de um lado,pois como vc mesmo disse vazando pelo interior e por trás da cabeça dele..o capacete pesou e jogou p lado oposto ao afetado...veja imagem e vai entender.

    ResponderExcluir
  3. gente ele morreu napista,o medico k atendeu ele,assistiu ao ultimo suspiro dele,isso tá no livro do jornalista brasileiro,esse médico deu todos depoimentos e conversas k teve com Senna nos dias anteriores k houve a morte do australiano,k morreu na pista tbm,mas a lei da fórmula1 proibe k se declare morto o piloto na pista,muita grana rola pra se cancelar acorrida de milhões!!! a vida deles não vale nada,somente o prazer de correr e saber k pode acontecer!!! saudades do grande SENNA!!!!!!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. fi na pista k todos morreram,na F1 é proibido falar k o piloto morreu na pista,pq nesse caso tem k cancelar a corrida,e lá se vão milhoes de dolares,affff!!!k horror...

      Excluir
  4. Senna 20 anos ja se passaram e nois brasileiros jamais nos esquecemos de vc, todos nos estamos com o coraçao doendo ate hoje morrendo de saudades de voce, que pena que nessa vida nao se pode voltar quem ja faleceu, bom seria se fosse assim pq pediriamos pra voce volta, viva Ayrton sempre Senna jamais avera outro igual saudades eternas.

    ResponderExcluir